Gala Ballon D'or France Football 2017
Rei Cristiano Ronaldo V
A imponente e emblemática Torre Eiffel iluminou-se com toda a sua magnificência e prestou vénia ao Rei Cristiano Ronaldo, agora o V, graças à Bola de Ouro número cinco acabadinha de conquistar. Ele, o nosso Cristiano, igualmente imponente, emblemático, magnificente, histórico, consagrado na eterna e romântica Paris pela France Football, numa noite chuvosa e fria, mas sumptuosa e bela, mais ainda por ser a da consagração do nosso melhor do Mundo, cinco vezes melhor do Mundo, quatro nos últimos cinco anos (2008, 2013, 2014, 2016 e 2017), números irracionais e só ao alcance deste que faz do trabalho, dedicação e ambição as suas principais insígnias. Leonel Messi, que foi alcançado pelo português no número de troféus (em 2012 o argentino tinha três de vantagem) , ficou no segundo lugar e Neymar no terceiro. “Não é sorte”, garantiu Cristiano Ronaldo. “É trabalho, dedicação e crença no trabalho”.
Um dia depois de ter fixado novo recorde na história do futebol mundial, como o primeiro e único jogador a marcar em todas as jornadas da primeira fase da Champions League (nove golos em seis jogos), Cristiano Ronaldo, família e amigos, entre os quais se inclui o agente Jorge Mendes, foram recebidos numa gala conduzida pelo ex-avançado David Ginola completamente distinta do habitual, mais intimista e pessoal do que o tradicional, na qual até participaram, lado a lado com a estrela da noite, a mãe Dolores, o filho Cristiano Ronaldo Júnior (a quem o pai vê “algo de especial”, um bocadinho de si nele, mas sem vontade de lhe colocar qualquer pressão), a companheira Georgina (a quem foi oferecido um babygrow com as cinco bolas de ouro estampadas) e ainda o presidente do Real Madrid Florentino Pérez. Mas também, com entrevistas gravadas, Lazlo Bolloni, Alex Ferguson, Zinedine Zidane e Carlo Ancelotti, treinadores marcantes da sua carreira que não lhe pouparam elogios e se associaram à consagração, tal como Mbappé, confesso admirador de Cristiano desde tenra idade, e ainda os lendários madridistas Kaká, Roberto Carlos, Ronaldo ou Cannavaro, presentes no evento, tal como o seleccionador português Fernando Santos.
“Sinto-me muito feliz, é um momento marcante e fantástico da minha carreira… apesar do frio”, começou por dizer Cristiano Ronaldo quando as câmaras se voltaram para a majestosa Torre Eiffel e no seu interior se vislumbrou, de costas, a sua inconfundível silhueta, confirmada quando se voltou, já com a dourada Bola de Ouro bem segura nas mãos. “Feliz pela época que fizemos, ganhámos a Champions e o campeonato, fui o melhor marcador da Champions… Os troféus, tanto no Real Madrid como na Seleção Nacional, ajudam a ganhar estes prémios individuais, é maravilhoso, e só tenho de agradecer aos meus companheiros do Real Madrid e de Portugal”.
Cristiano Ronaldo, que admitiu ter percebido que “era realmente bom” quando estava no Manchester United na companhia de todas aquelas estrelas orientadas por Alex Ferguson, deixou escapar que, enquanto menino, “não esperava ganhar uma bola de ouro quanto mais cinco”, mas que agora anseia manter-se a este mesmo nível “durante mais uns anos”, considerando que “a motivação é o mais importante” e que essa continua a sentir na sua plenitude, assim como espera que “esta batalha com Messi continue” – os dois lideram a última década do futebol mundial. “As coisas acontecem sempre por uma razão. Esta temporada sinto-me bem, vamos aguardar pelo final para ver o que ganhamos”.
Pelo meio dois jovens fans de Cristiano Ronaldo tiveram direito a duas perguntas, sendo que uma delas foi directa: quando vens para o PSG? O melhor do Mundo não hesitou: “Estou feliz no Real Madrid, quero ficar lá, gostaria de terminar a minha carreira em Madrid, vamos ver se será possível… vamos ver se será possível”. Elogios a Neymar e a Mbappé, a vontade reiterada de “ganhar sete bolas de ouro e ter sete filhos”, ou o 7 não seja o número mágico da vida de Cristiano Ronaldo.
Uma noite feliz em Paris, como corolário de um ano em que ganhou a Liga espanhola, a Champions League, o Mundial de Clubes, a Supertaça Europeia, muitos, muitos, muitos golos, num total de carreira de 26 títulos colectivos e 25 individuais, mais o prémio The Best da Fifa, do qual é o único titular desde que existe há dois anos, depois da separação da FIFA e da France Football. Com a certeza de que, aconteça o que acontecer, nem este mundo nem os outros que eventualmente existirem conhecerão alguma vez outro Cristiano Ronaldo. Porque é e para sempre continuará a ser único.



