Mundial'2026
Gonçalo Ramos prometeu, Gonçalo Ramos cumpriu
Frenético e louco, emotivo e sofrido. Assim foi o jogo que garantiu a Portugal a presença nos oitavos de final do Campeonato do Mundo da América do Norte. Vitória por 2-1, com Cristiano Ronaldo a empatar de penálti e Gonçalo Ramos a fazer jus à sua alcunha de pistoleiro, cabeceando extraordinariamente no meio de três adversários, já no período de um tempo extra que viria a ser longo. Tão longo que a Croácia também marcaria, mas sem valer. No dia em que se assinalava um ano exacto desde o trágico desaparecimento de Diogo Jota e do seu irmão André, Portugal venceu com garra, com determinação, com sofrimento e com alma. E a vitória foi para o eterno 21 da selecção nacional.
Para este seu primeiro jogo a eliminar, Portugal apresentou-se com João Neves e Rafael Leão, apostando na largura e na velocidade dos alas para encurralar a Croácia. E em boa verdade a primeira parte foi de total superioridade, com aproximações constantes e perigosas à área contrária, destacando-se o duplo remate de Bruno Fernandes (minuto 4), que só não resultou em golo porque o guarda-redes Livakovic, primeiro, e um defesa, depois, não o permitiram.
A segunda parte foi diferente e frenética. Os croatas conseguiram ter mais posse de bola no corredor central e com isso começaram os problemas e também o jogo louco. Perisic, com um remate cruzado, inaugurava o marcador (53’), Rafael Leão rematava ao ferro (58’), Cristiano Ronaldo, com um gesto absurdamente fantástico marcava, mas veria o golo ser anulado por fora de jogo (61’), ao mesmo tempo que eram lançados, em simultâneo, Nélson Semedo (para o lugar de Cancelo), Bernardo Silva (Vitinha), Francisco Conceição (Pedro Neto) e Gonçalo Ramos (Bruno Fernandes). Quase de imediato, na sequência de um canto, Renato Veiga era bloqueado na área por Vlasic e chegava o momento de Cristiano Ronaldo, de grande penalidade, rematar para o meio da baliza, restabelecendo a igualdade e apontando o golo 976 da carreira.
O jogo estava partido, bola cá bola lá e com Diogo Costa a exibir-se em plano superior, com pelo menos quatro enormes intervenções, designadamente aquela em que, com a ponta dos dedos, desviou para o poste um remate com selo de golo de Kovasic. A Croácia veria um golo anulado aos 80’, por fora de jogo de Sucic, Cristiano Ronaldo sairia para a entrada de Rúben Neves e para equilibrar aquela ponta final completamente desenfreada e quando muitos pensavam que o prolongamento iria mesmo acontecer, eis que surge o pistoleiro Gonçalo Ramos, no meio de três adversários e a ser agarrado, a executar um cabeceamento tão perfeito que a bola só parou no fundo das redes (90’+4’). No momento em que foi lançado, a menos de 30 minutos para o final, Gonçalo Ramos tinha prometido aos companheiros que marcaria; Gonçalo Ramos cumpriu o prometido. Foi a loucura total. Loucura nos festejos, mas loucura também porque naquele que seria o último lance do encontro a Croácia chegou ao empate. Uma tremenda desilusão, que só não o foi verdadeiramente porque após longa análise do VAR o lance acabou anulado por fora-de-jogo de Pasalic. Portugal carimbava assim o passaporte que o leva de Toronto até Dallas, num jogo que teve tanto de dramático como de espectacular, com a equipa portuguesa, no final, a homenagear em pleno relvado o eterno Diogo Jota.
A última vez que Portugal virou um resultado em fases a eliminar foi há 60 anos. Em 1966 conseguiu-o diante da Coreia do Norte; desta vez foi perante a Croácia, o que lhe garantiu a qualificação para os oitavos de final. O adversário que se segue chama-se Espanha, num jogo marcado para as 20:00 de segunda-feira.



