Foto Pt-italia

Liga das Nações: Portugal estreia-se a vencer
André Silva faz história à italiana

Há 61 anos que Portugal não conseguia descalçar a bota da Itália, que é como quem diz, ganhar um jogo oficial a esta emblemática selecção, agora em fase de reedificação pela mão da Roberto Mancini. Até esta segunda-feira, 10 de Setembro de 2018. Foi feita história pelo pé esquerdo de André Silva, que respondeu à italiana, e ofereceu a Portugal a primeira vitória na nova competição da UEFA, a Liga das Nações, e a consequente liderança do Grupo 3 da Liga A. Porque a Itália em dois jogos soma um ponto e a Polónia, próximo adversário de Portugal, soma também um ponto.

 

No pós-Mundial da Rússia, os campeões da Europa apresentam-se num outro estado do processo de evolução preconizado por Fernando Santos, que repetiu o mesmo onze que tão boa imagem tinha deixado há quatro dias, no jogo particular com a Croácia, finalista vencida do último Campeonato do Mundo. E então como agora, Portugal foi superior aos oponentes, com um jogo positivo, com um jogo de organização, com um jogo de posse e construção e em que, em ambos os casos, só pecou na finalização.

 

Não esteve Cristiano Ronaldo nesta dupla jornada, e o melhor do Mundo faz sempre falta, muita falta, mas esteve André Silva, que foi matador quando o teve de ser; teve um Ruben Neves que faz da inteligência um mote para a valorização da qualidade do jogo de Portugal, tal como Pizzi; teve um João Cancelo que tanto na quinta-feira como agora foi apenas um dos melhores em campo, não apenas pela consistência defensiva mas também pelos raides pelo corredor e pela clarividência e assertividade nos passes e cruzamentos; teve o Bernardo artista habitual que é o futuro da genialidade desta selecçao (e aquele remate aos 54’, tão belissimamente executado, merecia ter entrado); e depois… Pepe, esse jovem, muito jovem central homenageado por ter atingido a 101ª internacionalização, talvez o melhor em campo em ambos os jogos, que assumiu a liderança da equipa na ausência de Cristiano Ronaldo e que persiste em carimbar selos incomparáveis de qualidade, de atitude, de ambição, de raça, de orgulho de uma nação, de amor a um escudo, de dedicação, de empenho, de tudo, tudo, tudo. Um exemplo este nosso central português de coração.

 

Os números, no efervescente Estádio da Luz, poderiam ter sido outros, designadamente pelo que aconteceu na primeira parte. Mas tudo ficou decidido aos 48 minutos quando uma recuperação de Bruma tabelou num defesa italiano e assistiu André Silva que, fazendo jus ao título de ponta-de-lança, recebeu, rodopiou e rematou de pé esquerdo para o fundo das redes, fazendo história e colocando Portugal no primeiro lugar do Grupo 3 da Liga A desta nova competição, com mais dois pontos do que a Itália e a Polónia.